desconexo, o desconheço

Quando o tempo não tem espaço e quando o espaço não tem tempo

silêncio. esporro

Espaço contínuo em tempo delimitado. Há muito chão pra pouco espaço e há pouco tempo pra muito espaço.

Fim dos passos. Ou do espaço?

A mente é poderosa. Criam-se novos espaços e percorrem-se longíquos caminhos. 

Espaço. Buraco.

FIn

1 Comentário

Arquivado em Uncategorized

Como funciona a ficção

Imaginação, imagens, ação, palavras, papel, caneta e a infinita possibilidade de criar um mundo, pessoas, línguas, animais falantes, objetos que ganham vida, jardins que se transformam…situações incoerentes com a realidade.
Escrever sempre foi uma fuga, um refúgio, um conforto, uma vontade de fazer acontecer o que não acontece ou de simplesmente contar o que acontece de um jeito mágico.
Dificuldade com as palavras na vida real, a vontade de ser compreendida sem conseguir ser clara e precisa.
Como funciona a ficção? O que é ficção? Se a ficção não existe, por que é possível se sentir viva numa atmosfera onde nada é real?
Fazer chover sapos, criar ets amigos, um parque cheio de dinossauros, um mundo de pessoas azuis que lutam pela natureza, simular o fim do mundo, amar o proibido, conversar com peixes, ser amiga de pinguins, conseguir voar, torcer por um homem que se veste de morcego, se identificar com um pirata bêbado.

Magia.

São inúmeras as possibilidades, poderia falar sem parar dos personagens criados e que eu e você idolatramos. Dos livros, dos filmes que podemos assistir no “mudo” e falar em voz alta os diálogos decorados, as frases feitas, os jargões…

Escrever é uma matemática mágica, se você sabe a fórmula, cria quantas equações quiser e o resultado aparece bem ali…por vezes redondinho, por outras com alguma vírgula imprecisa.

Hoje eu li o texto de um amigo que tinha um blog, um texto curto, mas cheio de cor, de imagem, de fatos…quando perguntei onde poderia achar mais daquilo, me referindo a um antigo blog em que ele costumava vomitar palavras, sua resposta foi bem simples, mas me deu uma cutucada: “…aposentei, agora é assim de vez em quando”.
De vez em quando, de vem em quando…
Na hora lembrei disso tudo aqui e do dia em que comecei a vomitar minhas palavras, criar meus personagens, inventar meus mundos.
Me transformei no “assim de vez em quando” e nem percebi, senti saudade de quando sentava na frente do computador, de quando andava com um caderninho pra cima e pra baixo e de quando não existia hora certa pra vomitar o que se passava pela minha cabeça, as coisas costumavam fluir com mais facilidade, as histórias surgiam, pessoas nasciam, fatos reais se fantasiavam sem máscaras!
Abri meu blog e li os últimos textos, todos em crise visível de criatividade…como se de repente minha vida tivesse ficado vazia, como se a criatividade tivesse tirado uma folga por algum lugar da minha cabeça e também tivesse se escondendo de mim.

“Preciso recuperar o tempo perdido”, pensei.
“Preciso escrever”, escrevi.
“Como funciona a ficção?”, li na capa de um livro.
“Mas…como funciona a ficção?”, pensei, pensei, pensei.

“Adicionar Novo Post”, olhei pra tela em branco e pro cursor que piscava como se me cobrasse algo.

“Vamos! Escreve menina! Escreve, inventa uma história, conta alguma coisa!”, dizia o cursor piscando agoniado.

“Mas eu não sou de escrever sobre o que se passa comigo…tô de mal com as palavras, elas não querem me ver”

“Então fala sobre o que é escrever, resgate o amor que sente quando forma frases de efeito, converse com elas…elas irão voltar”.

A ficção funciona assim…sai lá do fundo quando você menos espera e quanto mais eu escrevo, mais escreverei, quanto mais eu crio, mais criarei.
Bem vinda de volta, seu velho hábito te espera.

Escrevo, logo existo. Existo, logo escrevo.

1 Comentário

Arquivado em escala 1

Pescaria.

Ilustração de Nicoletta Ceccoli

Abandonou-as como se adormecidas fossem permanecer.
Não tinha noção da reconquista e o pau da barraca fora chutado com tamanha ignorância, que o medo de que tudo estivesse perdido se alastrava por todo o seu corpo.

Suor, mãos frias e escorregadias, pupilas dilatadas e tiques nervosos desenvolvidos em abstinência.

Procurava algum tipo de programação, algo como botões deliberadores de problemas! Não encontrou!
Suor, tremor. Passara dias sem comer, beber e longe da luz do sol, sua palidez e magreza causados pela ansiedade eram visíveis.

Lançara a linha, esperava agora o peixe.
Teriam cortado a linha da imagem e da ação?
Sabia que era uma cria ativa, veia palpitante. Sua cabeça fervilhava em pensamentos.

Tremor, suor, agora era impossível destinguir lápis x papel de dedos x teclado.
Futurismo, tic-tac.

O silêncio era seu amigo, talvez ajudasse! (Deveria chamar pelo silêncio?)
A madrugada, a música…nem mesmo a música, nada…nada mais colaborava, ela sentia cada vez mais os tremores pelo corpo e agora não mais conseguia apontar uma caneta pro papel, precisava encontrar o apetite.

“Certo… (respiração lenta, profunda e pausada) … primeiro preciso de quitutes com recheio de letra e adição exacerbada de cor, imagem e som…vamos à pesca…”

Sentia que a pescaria não estava perdida, a linha ainda estava ali.

( Mais ilustrações de Nicoletta Ceccoli )

Deixe um comentário

Arquivado em escala 2

Tá clareando e Irene voltou.

Foto de Jerry Uelsmann

Parafraseando e retomando as atividades do dia, em tempos de tecnologia exacerbada, agoniada, viciante e gritante fui afastada da vontade de guardar o imaginado em forma de palavras.

As causas que justificam o fim

Comunicação! Velocidade! Curiosidade!

Parada no tempo naquele jardim, Irene que tinha passado alguns longos meses deslumbrada com aquele chá de flor, sentia que agora estava sendo descongelada e por conta da demora acabou ficando presa no futuro, sim! No futuro! O tempo congelou Irene, mas sua mente transcendia e ela que era muito esperta mergulhou nas águas mais profundas sem saber onde poderia parar.

Futuro!

Irene voltou.

Deixe um comentário

Arquivado em escala 2

Delírio consciente

Quando me concentro no que penso, percebo o descontrole.
Controle. Descontrole controlado.
As palavras surgem e formam ondas verbais que detonam com toda a minha cabeça.
Consciência, delírio, tempo.
Controle.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Sobre medo, ets e imaginação.

Sea song por mim. Mais deles no meu flickr.

Madrugada.

Às vezes eu acho que essa minha viagem com ets…essa viagem que as pessoas nunca levam ou levarão a sério de verdade, me impressionam mais do que deveriam.
Um taxi chamado pela imaginação, um dialógo inventado trazido pelo vento, o sussuro de pessoas que dormem, o sino dos ventos e até a trilha sonora futuristica.
Tudo isso sem dormir.
A imaginação é ativada. Logo surgem sons, pessoas e situações inventados por um medo.
Medo
O calafrio na barriga causado por ele, só se dá pela criatividade de quem o pensa.
Um mundo criativo e inventado inteirinho na cabeça ! E o interessante é que às vezes ele pode durar apenas 5, 10, 15, 20 minutos.
Uma luz se apaga, o barulho do elevador some e já que a fechadura da porta tá fechada, a portinha do cinema do lado direito do cérebro se encerra.Some.
Silêncio.
É onde escuta-se mais barulho, é principalmente aí que as vozes falam ao mesmo tempo, a criatividade é despertada e lá vem eles de novo…pessoas, sussurros, ventos, chaves viradas, luzes acesas, trilha futuristica de novo.
E pensar que há quem vive sem fantasia e de pés colados. Pobres mortais desprovidos de portas, como podem , como podem viver sem chaves?

Irene.

1 Comentário

Arquivado em escala 2

Morreu afogado.

E voando em seu balão, eis que um balonista vizinho e amigo surge e entrega uma trágica carta para Irene.
O remetente? Joana.

Querida Irene,

Diante de tantos acontecimentos me perdi entre fortes emoções e não soube como agir.
Essa é a última tentativa de te contar o ocorrido. Vamos ver se esse papel não vai também parar no lixo e se o balonista passa por aqui como de costume.
Cuidado Irene! Não caia do balão.
Te digo hoje que morreu afogado aquele alvoroçado que não soube controlar a sua ansiedade.
Sabe o alvoroço da ansiedade? O coração acelerado? Foi a perda do controle que desnorteou o pobre.
Chegou o fim da naturalidade, assumiu o descontrole controlado e caiu no mar sem sal e aí… aí já era, não houve quem o salvasse, ninguem Irene, ninguem conseguiu mergulhar em tamanho mar destemperado e fazer o resgate.
O afogamento resultou em morte. Em morte. Arnaldo morreu.
Desculpe-me pela frieza Irene.
Desculpe-me, ponha um sorriso no rosto e segue feliz em seu balão longe do mar sem sal!

Sua Joana.

Deixe um comentário

Arquivado em escala 2, Uncategorized

Referência.


O olhar pro mundo.
o olhar pro mundo forma mais que qualquer referência de uma terceira pessoa.
Às vezes essa coisa de referência PRENDE, restringe.

Gosto, admiro, fico encantada mas me aprofundo pouco…
MEDO
Medo de ficar mergulhada no que não sou EU.
Eu sei de mim.
Eu sei onde eu quero mergulhar
eu quero mergulhar em mim.

SEGUIR o caminho INVERSO fazendo o PERCURSO pra FRENTE.

Deixe um comentário

Arquivado em escala 1

.


Como se as luzes tivessem cegado.
Homem sem visão raio-x ignora o real e vive na superfície de concreto.
Metal, pedra, cimento.
Quem é você?

Deixe um comentário

Arquivado em escala 2

Por dentro.

Manhã ensolarada de sábado, o quarto de Cristine era ainda dominado pela penumbra das grossas cortinas, a única luz presente vinha do vão da porta, quase imperceptível.
Cristine sentia a cabeça pesar, os olhos abertos não conseguiam decifrar o que viam, sonho mesclado a realidade, tudo muito confuso, até que olhou pro lado e percebeu um pedaço de papel amassado com uma única frase “SE ENTRAR NÃO DEIXE A PORTA ABERTA “.

Não entendeu, claro que não entendeu, voltou a dormir.
O sonho era estranho, se via amarela em um ambiente completamente rubro, parecia sangue, o cheiro, a umidade, uma textura viscosa, muco.

Se deu conta de que andava pelo seu corpo, Cristine percorria suas veias.

…continua

2 Comentários

Arquivado em escala 2