Pescaria.

Ilustração de Nicoletta Ceccoli

Abandonou-as como se adormecidas fossem permanecer.
Não tinha noção da reconquista e o pau da barraca fora chutado com tamanha ignorância, que o medo de que tudo estivesse perdido se alastrava por todo o seu corpo.

Suor, mãos frias e escorregadias, pupilas dilatadas e tiques nervosos desenvolvidos em abstinência.

Procurava algum tipo de programação, algo como botões deliberadores de problemas! Não encontrou!
Suor, tremor. Passara dias sem comer, beber e longe da luz do sol, sua palidez e magreza causados pela ansiedade eram visíveis.

Lançara a linha, esperava agora o peixe.
Teriam cortado a linha da imagem e da ação?
Sabia que era uma cria ativa, veia palpitante. Sua cabeça fervilhava em pensamentos.

Tremor, suor, agora era impossível destinguir lápis x papel de dedos x teclado.
Futurismo, tic-tac.

O silêncio era seu amigo, talvez ajudasse! (Deveria chamar pelo silêncio?)
A madrugada, a música…nem mesmo a música, nada…nada mais colaborava, ela sentia cada vez mais os tremores pelo corpo e agora não mais conseguia apontar uma caneta pro papel, precisava encontrar o apetite.

“Certo… (respiração lenta, profunda e pausada) … primeiro preciso de quitutes com recheio de letra e adição exacerbada de cor, imagem e som…vamos à pesca…”

Sentia que a pescaria não estava perdida, a linha ainda estava ali.

( Mais ilustrações de Nicoletta Ceccoli )

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